terça-feira, 12 de julho de 2011

A igreja está viva!!!

Em meio a tanta conturbação e difamação ficamos desgostosos com a igreja. Escandalos, corrupção, interesses próprios e bajulação à líderança. A lógica majoritária é quanto mais gente na igreja mais abençoada ela é. Quanto mais abençoada, mais gente. A coisa toda se justifica, pois quanto mais gente mais dinheiro e quanto mais dinheiro mais ministérios e mais evangelismo. Quanto mais evangelismo, mais pessoas e quanto mais pessoas mais bençãos.
Entramos neste círculo vicioso sob versículos bíblicos, embasando nossa tese no Antigo e no Novo Testamento. Nas pregações ouvimos palavras de ordem de vitória e bençãos. Os mesmos púlpitos que pregam salvação pode nos por em perigo. Pessoas de boa fé, ouvem discursos que não se encaixam na cruz. Sabem que existem algo errado, mas não sabem exatamente o que é, pois os discursos citam versículos bíblicos. O olhar se divide entre a cruz e o discurso. Infelizmente, na vida de muitos, ganha o discurso, pois é o caminho mais fácil, mais plano e mais curto. Por estas e outras “cositas mas” somos fadados a declarar a morte da igreja. Cresce a cada dia a busca dos “sem igreja”, daqueles que se decepcionaram com a instituição, porém não querem perder a cruz de vista. O problema: onde se alimentam estas pessoas? Como diz minha mãe, com toda sabedoria mineira, “saco vazio não pára em pé”.
Uma situação perigosa se cria, pois começam a se formar grupos de amigos para estudar a bíblia, e isto é muito bom, porém por ser bom, mais pessoas se juntam e a coisa cresce. Pronto, lá estão os sem igreja dentro da igreja de novo. A estrutura se faz necessária. A administração dos cultos se faz necessária. O dinheiro se faz necessário. O controle daquilo que está se pregando se faz necessário. A igreja está de volta. Mas os envolvidos insistem em dizer que não pertencem a igreja alguma.
Creio que não há igrejas suficientes para todos. Queremos uma igreja especial, sem as mazelas da instituição, sem os aparatos do sistema, sem interesses particulares, enfim sem homens. Isto me faz lembrar do inferno de C. S. Lewis em “O Grande Abismo”, onde ninguém tinha vizinhos, pois a relações eram impossíveis.
Mas onde está a igreja? Talvez se olharmos um pouco mais para dentro de nós veremos um luzinha bem lá dentro. Para vê-la teremos que atravessar por uma escuridão de morte, por nossa inveja, nosso orgulho, nossa individualidade, por nossa sede de aceitação e por nossa mesquinhez. Mas se conseguirmos passar por tudo isso, poderemos ver, como uma pequenina vela acesa em uma caverna escura, a luz do Reino. Aí, pegamos esta vela com muito cuidado para que ela não se apague com nossa respiração e nem com os ventos soprados da escuridão. Começamos a fazer um “tour” dentro de nós, iluminando cada canto escuro, abrindo cada porta fechada, abrindo caminho entre as teias de aranha, que ocuparam muito espaço com o tempo. A cada canto, a cada porta, a cada teia, a luz se fortalece. Já não pode ser apagada com uma simples respiração, os ventos da escuridão tem que ser mais fortes para apagá-la, pois estamos vendo e expondo ao Reino as nossas mais íntimas dores e vergonhas.
Outros também tem feito o mesmo, iluminando suas escuridões e expondo ao Reino tudo que o fazia enxergar mais o discurso que a cruz. Estes ocupam os bancos das Assembléias, das Metodistas, das Batistas, das Nazarenos, das Deus é amor, das Universais, das Paróquias. Gente que vê além dos púlpitos, pois estão com as entranhas iluminadas. Gente que entendem que a luz que brilha nele pode ajudar outros em suas buscas, pois as mudanças quase nunca vem dos púlpitos, mas das relações.
A igreja, portanto se constrõe no desejo de encontro destas luzes, a revelia das autoridades, dos discursos, da maioria, dos poderes e dos interesses. Apenas o Espírito Santo reina absoluto, límpido e puro. As intenções são as primeiras, os abraços são sinceramente apertados e longos, os olhares são de empatia e no rosto um sorriso impagável.
Enfim, a igreja continua Santa, Pura e Imaculada, apesar dos homens, apesar de mim, a igreja vive.

Mantenha-se descalço!

sábado, 25 de junho de 2011

Em nome de Deus!


Vivemos justificando nossas atitudes de acordo com nossos atos. As igrejas estão cheias disto, as culturas estão cheias disto, a política está cheia disto, mas na realidade eu estou cheio disto.
A inquisição, motivada pelo poder e ganância, vitimou inocentes e consolidou seu status quo no forceps. A esperança, no entanto, se escondia nos barracos, nos casebres e nos corações daqueles que lutavam dentro de si mesmos. Em nome de Deus massacravam não só a carne, mas a mente daqueles que ousavam pensar e enfrentar o pensamento majoritário.
O próprio Cristo foi morto em nome de Deus, por conflitar a igreja aos mandamentos pelos quais ela cria se firmar. O interesse humano sempre foi em sua preservação, integridade e aceitação grupal. O custo disto? Massacres, guerras, tráfico de drogas, de influência, licitações ilícitas, estupro de culturas, de religiões, arrombamento dos cofres familiares, dos cofres públicos, e tudo isso em nome de Deus.
Pregamos um Cristo conveniente, que nos cabe, cortamos as sobras e rasgamos as costuras. Nos tornamos um trapo, um mendigo espiritual, social, cultural e intelectual, o qual não enxergamos pois nos cercamos de equivalências. Em nossas orações usamos nosso próprio espelho e nos vemos elegantes, dignos de pedidos, de bençãos e de profetizações.
Minha única saída é a cruz, que ilumina meus ossos, e sonda minha alma. Que me faz emagrecer meus braços, engordar meus pés, crescer minha cabeça e parecer um disforme social, cultural, intelectual e espiritual, mas me ajusta à Palavra. Faz-me parecer um Esquálidus diante das gravatas e sapatos, mas cria em mim um espelho da cruz. Em nome de Deus!

Mantenha-se descalço!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Se os teus olhos forem bons...


Nunca enxergamos o que precisamos. Parece automático, mas olhamos para o lado mais conveniente, aquele que nos favorece. Uma tendência humana, uma onda a favor, um dia como ontem. Enfim, procuramos por isso, desejamos isso, logo achamos exatamente o que procuramos. A loucura humana de não mudar o que já está “bom” é satânica. Queremos manter nosso “status quo” de qualquer maneira, mas não percebemos que o que vem no dia seguinte é uma outra maré, uma nova manhã, uma nova experiência. Não conseguimos reter o tempo. Ele passa. E com ele vai o que acumulamos, vai escapando entre o vão dos dedos e logo abrimos a mão para ver o que restou e encontramos... nada! Cristo nos deu a história para fins didáticos e as promessas para reforço de aprendizado, mas o que realmente importa é o que olhamos agora. Não podemos viver do passado e nem vislumbrar o futuro, senão o presente nos esmaga. Seremos atropelados por nossos medos, nossas misérias e nosso egoísmo. O olhar de hoje reflete o que aprendemos ontem e garante as promessas de amanhã. O olhar conveniente mantem a ordem das coisas estática, mas os bons olhos deseja a mudança, a desestrutura, a desordem para nova ordenação. Como disse Humberto Rhoden certa vez: “Avistei ao longe um grande ideal e lá se foi o sossego de minha alma. Nunca mais estarei quite comigo mesmo.” Se não estivermos prontos para um novo olhar, estaremos trilhando caminhos que nunca realmente quisemos trilhar, estradas que se nos fosse oferecida, diríamos não. Um bom olhar hoje significa caminhar para o desconhecido, mas com a certeza de que as promessas de Deus estão logo ali, não sei bem onde, nem quando, mas isto não importa, pois vou caminhando a medida que o caminho surge, um caminho não plano, uma estrada não asfaltada, cheia de necessitados, loucos por uma interferência em suas vidas. Nós paramos, interferimos e, aí estamos nós, mudando novamente a direção, pegando um novo caminho, uma outra estrada cheia de buracos, de pedras, de necessitados como nós, pedindo uma interferência em nossas vidas. O bom olhar nos levará sempre a uma nova, gostosa, perigosa e atraente aventura, com Deus!

Mantenham-se descalços!

Kesede R Julio

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Você foi julgado e declarado: ... !!!


Isaías 5:8-23

8: Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!
9: A meus ouvidos disse o SENHOR dos Exércitos: Em verdade que muitas casas ficarão desertas, e até as grandes e excelentes sem moradores.
10: E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato; e um ômer de semente não dará mais do que um efa.
11: Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente!
12: E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.
13: Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede.
14: Portanto o inferno grandemente se alargou, e se abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá descerão o seu esplendor, e a sua multidão, e a sua pompa, e os que entre eles se alegram.
15: Então o plebeu se abaterá, e o nobre se humilhará; e os olhos dos altivos se humilharão.
16: Porém o SENHOR dos Exércitos será exaltado em juízo; e Deus, o Santo, será santificado em justiça.
17: Então os cordeiros pastarão como de costume, e os estranhos comerão dos lugares devastados pelos gordos.
18: Ai dos que puxam a iniqüidade com cordas de vaidade, e o pecado com tirantes de carro!
19: E dizem: Avie-se, e acabe a sua obra, para que a vejamos; e aproxime-se e venha o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos.
20: Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!
21: Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!
22: Ai dos que são poderosos para beber vinho, e homens de poder para misturar bebida forte;
23: Dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça!

Vemos aqui o retrato da ganância (8), da bebedeira (11), do cinismo (19), da inversão de valores (20), do orgulho (21), do futil (22) e da política brasileira (23). O povo de Israel estava "talequar" o "Brazil" de hoje. Homens sujos, incompetentes, governando pra si mesmo e muitos deles se denominando cristãos, usando a fé do povo como moeda de troca, usando altares como verdadeiros palanques. Não precisamos deles, não precisamos de representantes que não representam, nao precisamos de algozes, nao precisamos de urubus sobre carniças pleiteando poder. Precisamos de oracao, jejum, leitura da bíblia de forma não conveniente, de atitude de amor, de respeito ao rico, pobre, aqueles de opinião contraria, aqueles de crença diferente. Precisamos de proximidade, de tato, de olho no olho, de empatia, de amor, precisamos de CONVERSAO. Coloco agora você no banco dos réus e te pergunto: Como você se julga, CULPADO ou INOCENTE!

Que Deus nos converta a Ele, HOJE!

Kesede R Julio
Mantenham-se descalços!!

A PAZ do Senhor!!!


Mesmo já sabendo que não corro mais como corria, e sem a mesma habilidade que tinha, sou “metido” a jogar bola. Vivo me enfiando em campeonatos das cidades vizinhas (Valinhos, Indaiatuba) e também daqui de Campinas. Ali, em meio aos berros de “- Passa a bola, pô!!”, “- Você não podia errar esse gol!!!” ou então “- Toca... toca …TOOOOOOCCCCAAAAAAAAAAAA!!!”, ou até mesmo os mais exaltados “- Piiiiiiiiiiii, piiiiiiiiii, piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!”, vivemos um momento particular da vida, um momento onde somos nós mesmos, expondo nossos mais íntimos sentimentos. É o calor do jogo, no afã de enfiar a bola entre os três postes que seguram uma rede. Num destes jogos sempre tem os mais exaltados e as reações são quase animalescas. Cotoveladas, pisões na canela, bundadas na barriga, são comuns.
Há duas semanas, estávamos num jogo destes, “acalorados”, foi quando o juiz marcou um penalti para o nosso time, afirmando assim, que o goleiro havia feito falta em nosso atacante dentro da área. O goleiro não teve dúvidas, virou para o juiz e esbravejou “-Piiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!”. O juiz, com a mesma certeza, levantou o cartão vermelho e o expulsou de campo. A coisa começou a ficar feia. O goleiro partiu pra cima do juiz “só pra conversar com ele ...”. Quando vi que o esporte ia mudar e o gramado viraria em um ringue de boxe, corri para frente do goleiro e fiquei entre ele e o exército inimigo que estava pronto para revidar ao primeiro pontapé. Todos do meu time, sem exceção, insistiam para que eu deixasse o goleiro partir para cima do juiz, pois torciam pela briga, pela porrada, pelo caos. Sabendo disso, não desisti do meu intuito: apartar a briga. Até que os ânimos foram se acalmando e o goleiro foi saindo vagarosamente do campo, e eu abraçado com ele, dizendo que estávamos ali para dar risada, que o jogo era uma diversão, mas acho que ele nem me ouvia, pois ainda estava rosnando baixinho. De qualquer forma, saiu do campo.
Pedro, em sua primeira carta, no capítulo 3, verso 11b, afirma: “... busque a paz, e siga-a”. Recebemos este recado depois de quase 2000 anos , pois a graça de Deus equilibra nossa natureza tendenciosa. O mundo quer o caos para emergir seus mais rudimentares sentimentos de culpa, de vingança e de ganância. O equilíbrio que Deus nos dá é o fiel da balança do mundo. Isto é o que faz com que o mundo não entre em colapso. Somos mensageiros da paz e nossas reações demonstram mais do que somos que nossas ações. Em Cristo podemos dizer NÃO ao sim uníssono. Em Cristo podemos abraçar a quem todos querem socar. Em Cristo podemos mudar o rumo de uma situação que todos sabemos como começa, porém nunca sabemos como terminará. O Deus da paz venceu naquele jogo. Para mim, não importou o resultado (aliás, perdemos de 5 a 1, foi uma lavada!!!), mas sim o vaso esvaziado de mim mesmo e cheio de Cristo que pude ser naquela tarde de sábado. Que o sal continue salgando e que a luz continue brilhando através de todos nós, neste mundo tenebroso.

Kesede R Julio
Mantenham-se descalços!

A Im-permeabilidade do Corpo


Vivemos trocando de roupa, trocando de sapatos, trocando de perfumes, trocando de máscaras. Interpretamos um determinado personagem dependendo de nossa companhia ou do ambiente onde estamos. Queremos fazer parte do meio, sermos aceitos e quem sabe até ganhar um elogiozinho para inflar nosso ego. Se nossa máscara deixa aparecer nosso rosto em algum momento, nos sentimos mal e logo procuramos corrigir o “erro”, normalmente fechando o vão. Interpretamos o papel que nos pede a sociedade.
O mesmo acontece na igreja, raras exceções. O corpo não se fala, não se ouve, não se move. Por isso criamos igrejas dentro da igreja. Os mais chegados vão se chegando e os mais afastados, mais afastados ficando. Nossos núcleos de convívio tem cic e rg, é impenetrável, inalcançavel, inatingível. Queremos a companhia de quem pensa igual, daqueles que concordam conosco e nos aplaudem e ficamos distantes daqueles doidos ou certinhos que acham que a nossa opinião não importa, não faz diferença.
Deus nos chama para a convivência com os desiguais. Nos chama para o conflito, para as quebras de paradigmas, para desestruturação. Sem o contraditório não há crescimento. No ciclo do crescimento encontramos a desestruturação daquilo que está solidificado, para que este
desacordo momentâneo possa ser revisto, reestabilizado, solidificado e crescido para que novamente possa ser desestruturado.
Cristo busca uma igreja permeável, capaz de deixar vãos na máscara (de preferência, não usá-las) e deixar que o contraditório alcance suas bases e assim suas bases possam ser fortalecidas.
Necessitamos urgente de pessoas permeáveis na igreja, pessoas que se deixem aproximar, pessoas que falem menos e ouçam mais, menos donos da verdade e mais receptivo aos demais pensamentos.

Kesede R Julio
Mantenham-se descalços!